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E é como afundar num lago manso e escuro
sem saber se há um fundo, sem saber se há algo terrivel a me esperar,
ou apenas o vazio e o frio sem fim
Por que a vida já não passa de perca de tempo pra mim
rostos familiares mas que não significam mais nada
palavras vazias, abraços gelados, paisagens sem cor
De repente a felicidade não tem mais endereço
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Quanto você pode aguentar?
A dor, a solidão, o vazio, o frio do abandono, a  dor da lembrança que corta seu peito e o perfura mais e mais. Quanto, meu amigo, quanto você pode aguentar?
Pois eu me entrego, pois aqui estou desistindo. Renuncio toda e qualquer força que eu guardei dentro de mim esse tempo. Aqui estou e, que perdoe-me por minha fraqueza, eu desisto.
Deixarei que o vazio me engula, que o frio tome conta de mim. Desisto...
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Eu me cansei de minhas próprias palavras, elas não dão o impacto real da situação. Eu me sinto destruída, pisada, vilipendiada, ignorada, descartada. Não sei mais o que fazer, a dor e o vazio me persegue a todo lugar que vou.. Eu solto mil gritos mudos por dia, mas ninguém me ouve, ninguém me olha nos olhos para entender o que sinto, ninguém se atreve a chegar tão perto. Na realidade, ninguém se interessa.

Me ajude...
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Eu me sinto tão vazia, como se eu fosse um grande pedaço de carne ambulante - odiado e desprezado -, nem mesmo quem devia me proteger, se importa. É, querida, eu sei que se eu ao menos sorrisse pra você, tudo estaria bem, pelo menos na sua visão ignorante do mundo e da vida. Se você vê sorrisos, o que há por trás dos dentes e covinhas, nada te importa.
Eu me sinto sufocando, acho que não sou tão forte pra aguentar isso tudo. Me perdoa, eu não sou forte, eu não quero ser. Eu só quero a felicidade e a paz de novo.
Essa nuvem negra chegou na minha vida, e eu me sinto tão mal. E quem dizia que me amava, hoje nem mesmo pensa em mim. E quem diz se importar, na realidade não quer ajudar, não quer saber.
Me sinto sozinha o tempo todo, me sinto sufocada, cansada. Eu sou julgada o tempo todo, e ainda tenho que seguir regras ridículas tiradas talvez de um livro para criação de adolescentes, ah, eu não tenho para onde correr, não tenho o que fazer.
Meu quarto se tornou o pior cômodo da casa, é um lugar frio e triste, onde minhas tristezas e meus devaneios tolos me torturam. Eu já não aguento ficar aqui, não aguento mais olhar para essas inúmeras paredes brancas, elas refletem o que eu sinto... Nada.
Antes eu ao menos sentia saudade, sentia o amor ferver no meu peito, eu tinha lembranças que me faziam ter esperança e vontade de continuar... Hoje não mais, hoje já não sinto nada - além do vazio e dessa dor aguda -, e toda essa dor é diferente para os outros, uma dor que não tem muita importância. Talvez uma dor até inexistente.
Hipócritas me julgando e me xingando, mal sabendo que dentro de mim está crescendo um monstro, que uma hora irá se cansar, que uma hora irá se rebelar, e de tanto sofrer, ele vai querer fazer sofrer, também. Multiplicando a dor que sentiu, por dez, vinte. Eu estou me tornando isso, um monstro.
Meus bons sentimentos estão congelados, só o que eu sinto o tempo todo é solidão e raiva. Uma raiva tão forte e aguda que às vezes me assusta, as vezes me faz pensar se vale a pena sentir isso tudo...
Mas eu não posso fazer nada, além de sentir, além de pensar. Eu não tenho direito de ser, de fazer. Então o jeito é esse, ser forte e esperar a liberdade chegar.
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"É tão fácil se achegar,
O difícil é ver partir,
Quando um sonho acaba assim.
Eu me recuso a admitir,
Mas você me olhando assim...
Ainda faz minha mão tremer."
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Estou cercada pelo tédio, a mesmice. Uma rotina dolorosa e vazia, com pessoas insignificantes em volta de mim, e lembranças de dias ensolarados que eu adorava fingir serem tristes.
Ah, se eu pudesse voltar no tempo. Se eu pudesse escolher melhor as pessoas com quem me preocupei, se pudesse repensar minhas atitudes... Mas tudo passou, e passou tão rápido... Meus dias hoje não passam de horas vazias e dolorosas. Ah... se eu pudesse viver de novo aquela minha vida ensolarada...
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Toda noite o mesmo pesadelo me atormenta.
Eu vejo algo desaparecer das minhas mãos, e isso se vai pra longe, eu corro atrás disso, mas minhas pernas me traem. Eu caio na água, me vejo num mar.
Quando percebo, estou afundando, perdendo o ar, vendo rostos irreconhecíveis passarem por mim, enquanto vou afundando mais e mais, e perdendo tudo de vista.
E toda manhã é a mesma dor, o mesmo desespero. Por que eu sei o que está me deixando, eu sei o que eu perdi...
E sei bem, que não vou ter de volta o que tive.
Eu me perdi. Perdi minha vida.
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